Esses dias me refletindo sobre uma ideia particularmente sedutora no treinamento de endurance: a de que o corpo sabe. Que, se aprendermos a ouvi-lo, conseguiremos interpretar com precisão o que está acontecendo e, a partir disso, tomar decisões melhores sobre o treinamento. É uma ideia atraente porque parece nos devolver algo que a tecnologia retirou de nós. Em um ciclismo cada vez mais cercado por potência, frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca, carga, prontidão, recuperação, sono e dezenas de outras métricas, dizer ao ciclista para voltar a sentir parece quase um ato de resistência. O problema é que uma ideia verdadeira pode se tornar perigosa quando é levada longe demais. E talvez seja exatamente isso que esteja acontecendo quando começamos a tratar a percepção como o relatório mais honesto disponível sobre o organismo.
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