Minha Jornada sobre Duas Rodas: Uma Vida Movida pelo Ciclismo
ALGUMAS DAS MINHAS PASSAGENS NO CICLISMO E O MOTIVO DE COMPARTILHAR.
Desde os primeiros anos da minha infância, a bicicleta esteve presente na minha vida. No início, ela surgiu como uma brincadeira divertida, uma forma de explorar o mundo ao meu redor com a liberdade que só duas rodas podem proporcionar. Mas aquela diversão inocente acabou se transformando em algo muito maior.
Na adolescência, a bicicleta deixou de ser apenas um brinquedo e se tornou meu meio de locomoção. Era meu veículo para ir e voltar do trabalho, minha parceira nas viagens diárias. Lembro-me do quanto ela facilitava a rotina, mas, acima de tudo, do quanto já começava a me ensinar sobre disciplina, esforço e persistência.
Com o tempo, meu interesse pelo ciclismo se aprofundou, e comecei a participar de competições. As provas eram desafios intensos, cheias de aprendizados. A cada corrida, eu descobria mais sobre meus próprios limites, sobre a importância do preparo físico e mental, e sobre a estratégia necessária para vencer em um ambiente tão imprevisível quanto o esporte.
Quando chegou a fase da faculdade, a bicicleta passou a ter um novo significado. Não era apenas meu meio de transporte – tornou-se meu objeto de estudo. Ela me acompanhou não só nas idas e vindas, mas também nas pesquisas que marcaram minha trajetória acadêmica. Tanto meu trabalho de iniciação científica quanto meu mestrado foram dedicados ao ciclismo, explorando a fundo as relações entre esporte, saúde e desempenho. Esses estudos me proporcionaram um olhar ainda mais crítico e analítico sobre a prática esportiva e as complexidades envolvidas na busca pela performance.
**Mas, e quando conquistei meus primeiros títulos?**
A paixão virou profissão, e foi então que iniciei minha jornada ao lado dos melhores ciclistas do Brasil.
Logo de cara, fui parar no meio dos grandes – comecei trabalhando com os atletas da tradicional e poderosa equipe de São Caetano, onde tive o privilégio de conhecer figuras lendárias como Márcio Ravelli. Em seguida, minha caminhada continuou com Edivando Souza Cruz, Henrique Avancini, Raiza Goulão, Ulan Galinski e tantos outros talentos. Eles foram meus mestres em muitos aspectos, revelando-me que o esporte de alto rendimento vai muito além do que o senso comum entende.
Conviver com esses atletas de elite me permitiu entender as nuances do ciclismo profissional. E, nesse percurso, algumas conquistas tornaram-se verdadeiros marcos. Lembro-me da vitória do Edivando Souza Cruz, quando ele conquistou o título brasileiro na elite masculina, quebrando o longo domínio de Rubens Valeriano. Depois, vieram os títulos brasileiros de estrada e contrarrelógio na categoria Júnior com Bruno Petroucic, além dos quatro títulos brasileiros de contrarrelógio com Luis Amorim.
**Como continuar aprendendo e obtendo novas conquistas?**
A jornada continuou, e tive a honra de trabalhar ao lado de Henrique Avancini em seu primeiro título brasileiro, uma vitória que abriu caminho para um feito ainda maior: a conquista do campeonato Pan-Americano de MTB na Colômbia. Esta vitória foi particularmente especial, pois, após 13 anos, um brasileiro finalmente voltou ao lugar mais alto do pódio na altitude colombiana. Esses momentos foram apenas o começo de muitas conquistas internacionais que vieram em seguida.
Com o tempo, meu trabalho se intensificou não apenas com ciclistas profissionais, mas também com ciclistas amadores. Conviver com os dois extremos – o atleta de elite e o amador apaixonado – me mostrou que, apesar das diferenças, há muito que os conecta.
**Como ampliar as conquistas?**
Com os anos, compreendi que a evolução no ciclismo não se resume a treinar mais ou a seguir planilhas rígidas. O ciclismo é um esporte complexo, inserido em um ambiente aberto e imprevisível. Pedalar é a base, contudo saber os porquês é fundamental. Ter o conhecimento técnico é essencial, mas aplicar isso da maneira correta e nas situações certas é o que realmente diferencia um atleta.
A cultura do ciclismo também exerce uma influência enorme. A convivência com atletas de alto rendimento me ensinou que performar bem não significa, necessariamente, sentir-se bem. O esforço extremo pode nos levar a lugares incríveis, mas também cobra seu preço. Assim, aprendi que o equilíbrio entre performance e bem-estar é uma questão central para qualquer ciclista, seja ele um profissional em busca de títulos ou um amador apaixonado pela liberdade da estrada.
**E, por fim, como transferir esse conhecimento para os ciclistas amadores?**
O que deixo como reflexão para você, que também vive essa paixão pelas duas rodas, é a importância do autoconhecimento e da constante evolução. Conheça não só seus próprios limites e potenciais, mastambém o ambiente em que você vai competir e quem são seus adversários. Estude suas virtudes e deficiências, crie sistemas para lidar melhor com o inesperado e abrace a incerteza como parte do processo. No ciclismo, assim como na vida, não existe uma fórmula única para o sucesso. Mas estar preparado para os desafios e manter-se em constante aprendizado faz toda a diferença.
A bicicleta me ensinou muito, e continua ensinando. É uma jornada sem fim, um caminho onde a busca pela excelência se entrelaça com a busca por autoconhecimento. Se você, assim como eu, sente essa paixão, siga pedalando, aprendendo e superando os obstáculos que surgirem pelo caminho.

